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Mudando totalmente de ares, eu brasileira do interior de São Paulo, 30 anos casada e mãe do Enzo, mudei para a Itália com minha família. Meu fotolog: Veneto por mim

 

Sexta-feira, Janeiro 13, 2006

 
Hoje o Enzo me surpreendeu com uma frase que me fez refletir.
Há algum tempo, não sei precisar se semanas, ou mês....eu estava explicando pra ele que adultos também cometem erros, que todos buscam acertar, mas que ninguém é infalível.
Abordei o tema em uma linguagem simples, disse que com os adultos, a maioria deles cresceu, mas continuam com coração de crianças, ou seja, erram e tentam acertar, ficam inseguros, ficam tristes, magoados e as vezes acabam magoando as outras pessoas também. Porém o fato de terem um coração de criança os faz tentar sempre buscar ¿aprender¿ quando erram e não errar mais.
Disse que a mamãe é uma ¿adulta¿ mas que também tem o coração como o dele, e que isto é bom e ela se orgulha disso (ele ama a frase ¿orgulhar-se de¿).
Passado o assunto, me esqueci completamente.
Ontem na escola, ele pegou uma pecinha de lego e colocou no bolso do grembiule (o jaleco que eles usam aqui) quando fui tirar a roupa em casa achei-a e perguntei da onde era aquela peça. Ele tem um lego igual, mas tinha acabado de chegar e sabia que não era o dele.
A princípio ele disse que o Papai Noel tinha dado aquele lego novo pra ele, eu perguntei novamente se era da escola e ele com aqueles olhinhos inseguros disse que sim, mas que queria muito aquele lego pra brincar.
Eu sentei-me com ele, expliquei a definição do que é nosso e dos outros, e ele ao final queria ir no mesmo instante á escola levar a pecinha. Argumentei que a escola estava fechada o que o preocupou pois não queria perder a peça entre as dele, pediu que a colocasse na estante que assim ela não se perdia e no outro dia poderíamos levá-la.
Hoje pela manhã, depois de contar os sonhos da noite (todo dia ele conta o sonho que teve) a primeira coisa que ele falou foi:
-Mamãe, eu aprendi que o que não é da gente não pode trazer pra casa ¿in tasca¿ (no bolso)...Mamãe, vc é adulto mas tem coração de criança né, por isso que me ensinou que é errado né?
Desmontei, ... como as vezes a sinceridade é simples e objetiva!.
Pensei que as vezes é isto que falta pra nós adultos em relação as culpas, os arrependimentos...
Pra ele, o fato de devolver a peça á escola, e não pegá-la mais, mostrando que errou, mas reparou e aprendeu basta.
Nós somos mais complicados, mesmo que nosso erro tenha ficado lá atrás, que já tenhamos tirado o devido crescimento com ele, que já o tenhamos reparado da melhor forma que podemos....continuamos a nos culpar, a cada tropeço ligamos ao erro antigo.
Acho que se uma mãe, ou qualquer pessoa que lida diretamente com crianças for analisar o lado psicológico das vivência com um pequeno, como eu com o Enzo, e tantas outras mães com seus pequenos ....vai chegar a simples conclusão que a vida é complicada por sí só, mas que nós a tornamos por voltas impossível.
Parafraseando Jesus, ¿Sim se é sim, Não se é não, o resto vem do malígno¿, tem um paradigma por trás desta frase que eu queria conseguir por em prática na minha vida. Resumir-me ao Sim ou ao Não, pois se pensarmos a fundo na questão ¿Viver¿, não tem mais nada além destas atitudes, o resto, é dúvida e dúvida não leva a lugar algum, nos deixa parados.
Pena que na teoria já me desenvolvi muito, mas o vácuo entre saber a teoria e conseguir enquadrá-la na vida prática é muito grande.
É como aquele doce maravilhoso que aparece bem quando vc está de regime e apesar de saber que o certo é se conter, é mais forte que você!
No mesmo dia......
Eu e o Eduardo estávamos sentados jantando junto com ele, esta semana ele foi ótimo na escola e em casa, está gentil, afável, uma graça. Além de tudo ainda está comendo tudo e a professora todos os dias me diz que ele ¿papou tudo¿, aí fui jogar um pouco de confete....
-Meu amor, como a mamãe e o papai são felizes por Deus ter dado você pra gente! (Eu)
-Papai também agradece todo dia o Papai do Céu por ele ter você como filhinho dele! (Eduardo)
Ele todo cheio de si olhou pra gente e fez uma oração:

-Obrigado Papai do Céu por ter dado eu pro meu papai e pra minha mamãe!

Depois com a maior cara de pau, vira pra mim e diz:

Mamãe, já pensou se o Deus não tivesse dado eu pra vocês não ? Vocês iam ficar tão tristes !!!!!

É isso!!!!!



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Quarta-feira, Janeiro 04, 2006

 
Só na Italia mesmo.....

Tribunal italiano vai decidir se Jesus existiu



Por Phil Stewart

ROMA (Reuters) - Esqueça o debate nos Estados Unidos sobre criacionismo versus evolução. Um tribunal italiano está questionando Jesus -- e se a Igreja Católica Romana está infringindo a lei ao ensinar que ele existiu há 2 mil anos.

O caso colocou frente a frente dois homens na casa dos 70 anos, da mesma cidade italiana e que frequentaram o mesmo seminário durante a adolescência.

O réu, Enrico Righi, tornou-se padre e escreve para o jornal de sua paróquia. O acusador, Luigi Cascioli, virou um ateu declarado que, após anos de burocracia legal, vai ter seu dia no tribunal no final deste mês.

"Entrei com esse processo porque quero dar o último pontapé contra a Igreja, defensora do obscurantismo e da regressão", disse Cascioli à Reuters.

Ele sustenta que Righi, e, por extensão, toda a Igreja, violaram duas leis italianas. A primeira é o "Abuso di Credulità Popolare" (Abuso da Credulidade Popular), criada para proteger o povo contra golpes e esquemas. O segundo crime, diz ele, é "Sostituzione di Persona", ou falsa identidade.

"A Igreja construiu Cristo a partir da personalidade de João de Gamala", diz Cascioli, se referindo ao judeu do século 1 que lutou contra o exército romano.

Um tribunal em Viterbo vai ouvir Righi, que ainda não foi indiciado, numa audiência preliminar em 27 de janeiro. Na ocasião, será determinado se o caso tem mérito suficiente para continuar.

"No meu livro, Fábula de Cristo, apresento provas de que Jesus não existiu enquanto figura histórica. Agora ele deve refutar isso mostrando provas da existência de Cristo", disse Cascioli.

Em entrevista à Reuters, Righi, 76, parecia frustrado com a situação e sem entender por que Cascioli -- que, como ele, nasceu na cidade de Bagnoregio -- o escolheu em sua cruzada contra a Igreja.

"Somos os dois de Bagnoregio. Frequentamos o seminário juntos. Aí ele escolheu outro caminho e nunca mais nos vimos", disse Righi.

"Como sou um padre e escrevo no jornal da paróquia, ele está me processando porque eu 'engano' as pessoas".

Righi afirma que há muitas provas da existência de Jesus, incluindo textos históricos. Ele diz ainda que a Justiça está ao seu lado. O juiz que vai presidir a audiência tentou, várias vezes, arquivar o caso.

"Cascioli diz que ele não existe. Eu digo que ele existe", afirmou. "O juiz é quem vai decidir se Cristo existe ou não".

Mesmo Cascioli admite que suas chances são mínimas, especialmente na Itália Católica Romana.

"Vai ser um milagre se eu ganhar", brincou.



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